O dólar voltou a ficar abaixo de R$ 5 no fechamento de uma sessão pela primeira vez desde maio. Em 6 de outubro, a moeda terminou o pregão em R$ 4,975, acumulando queda de 9,37% no ano. O movimento chamou a atenção do mercado de turismo porque um real mais valorizado reduz o custo, em reais, de parte das despesas feitas no exterior.
Mas existe uma ressalva importante: esse patamar não se manteve. No dia 7, o dólar comercial voltou a fechar acima de R$ 5 e, na PTAX de 8 de outubro, a taxa de venda ficou em R$ 5,0119.
Ou seja, o cenário ficou mais favorável para quem pretende viajar, mas ainda não dá para tratar o dólar abaixo de R$ 5 como uma nova normalidade.
Por que o dólar caiu abaixo de R$ 5?
A queda aconteceu em meio a uma combinação de fatores domésticos e externos.
No Brasil, o mercado reagiu ao resultado do primeiro turno das eleições e passou a recalibrar suas expectativas para os próximos meses. Ao mesmo tempo, o dólar perdeu força diante de outras moedas emergentes.
Esse tipo de movimento mostra por que o câmbio pode mudar rapidamente mesmo quando o viajante está planejando uma viagem para meses à frente.
Para uma agência de viagens, acompanhar o dólar apenas no momento da emissão pode ser pouco. A cotação interfere no comportamento do consumidor, na percepção de preço dos pacotes e na disposição para fechar uma viagem internacional.
Viagens internacionais já estão movimentando mais dinheiro
O momento de câmbio mais favorável chega em um mercado que já apresenta forte demanda.
Segundo dados do Banco Central, os brasileiros gastaram US$ 12,6 bilhões em viagens ao exterior no primeiro semestre de 2026. O valor representa alta de 22,5% em relação aos US$ 10,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025 e é o maior resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica.
O dado ajuda a colocar a cotação do dólar em perspectiva.
Não é necessário que a moeda fique muito tempo abaixo de R$ 5 para produzir algum efeito sobre o turismo. Se o consumidor já demonstra disposição para viajar, uma redução do câmbio pode melhorar a capacidade de compra e antecipar decisões que estavam sendo adiadas.
Quanto uma viagem pode economizar com o dólar mais baixo?

O impacto fica mais fácil de visualizar em uma conta simples.
Imagine uma despesa de US$ 1.000 durante uma viagem. Com o dólar a R$ 5,20, o equivalente seria R$ 5.200.
Se a cotação fosse R$ 4,975, a mesma despesa representaria aproximadamente R$ 4.975.
A diferença seria de R$ 225.
Isso não significa que uma viagem inteira ficaria R$ 225 mais barata. A conta serve apenas para mostrar o efeito direto do câmbio sobre uma despesa denominada em dólar.
Passagens aéreas, hotéis, seguros, aluguel de carros, ingressos e outros serviços possuem preços próprios e podem reagir de maneiras diferentes ao câmbio. Além disso, cartão internacional, spread, impostos e outras tarifas também entram na conta final do viajante.
Por isso, o dólar mais baixo é uma vantagem, mas não deve ser confundido com uma redução automática de todos os custos de uma viagem.
O dólar vai continuar abaixo de R$ 5?
É justamente aqui que o cenário fica mais interessante para quem trabalha com turismo.
O relatório Focus divulgado pelo Banco Central em 5 de outubro mantinha a projeção mediana do mercado para o dólar em R$ 5,20 no fim de 2026. Para o fim de 2027, a expectativa estava em R$ 5,28.
Isso significa que o mercado financeiro, naquele levantamento, não apostava na permanência do dólar abaixo de R$ 5 até o encerramento do ano.
Também é importante entender o que uma projeção representa. O Focus reúne expectativas de instituições do mercado; não se trata de uma previsão oficial do Banco Central nem de uma garantia sobre o comportamento da moeda.
Ainda assim, o dado ajuda a montar cenários.
Se o dólar continuar próximo de R$ 5, as viagens internacionais podem permanecer relativamente mais acessíveis do que em períodos de câmbio mais pressionado. Se a moeda caminhar para R$ 5,20, parte dessa vantagem diminui.
O que isso muda para as agências de viagens?
O câmbio cria uma oportunidade comercial, mas não necessariamente por meio de descontos.
Quando o dólar cai, uma viagem que parecia cara pode entrar novamente no orçamento de determinados clientes. Isso pode aumentar a procura por Estados Unidos, Canadá e outros destinos em que uma parcela relevante dos gastos ocorre em moeda americana.
Também pode ser um bom momento para reativar clientes que pesquisaram viagens internacionais anteriormente, mas desistiram por preço.
A diferença está na abordagem.
Em vez de simplesmente anunciar que “o dólar caiu”, a agência pode apresentar uma simulação completa de viagem, mostrando passagem, hospedagem, seguro, transporte e estimativa de gastos no destino.
O cliente passa a enxergar o impacto real do câmbio no orçamento, e não apenas uma cotação isolada.
Passagens com milhas ganham ainda mais importância?

O dólar mais baixo não elimina a necessidade de buscar eficiência na emissão.
Na verdade, ele pode abrir espaço para combinar estratégias diferentes.
Uma passagem aérea pode ser cotada tanto em dinheiro quanto com milhas. Dependendo do destino, da data e da disponibilidade, a emissão com milhas pode continuar interessante mesmo quando o câmbio está favorável.
O ponto central é comparar.
Para uma agência, trabalhar com mais de uma possibilidade de emissão permite avaliar o custo total antes de apresentar a proposta ao cliente. A decisão deixa de depender apenas da tarifa publicada e passa a considerar margem, disponibilidade, condições da emissão e preço final da viagem.
É justamente nessa etapa que uma estrutura B2B de cotação pode ajudar a agência a ganhar agilidade. A Speed Milhas permite consultar opções de emissão com milhas para diferentes companhias e comparar alternativas antes de fechar a venda.
O melhor momento para vender uma viagem é quando o dólar está baixo?
Não necessariamente.
Esperar uma cotação perfeita pode fazer o cliente perder uma boa tarifa aérea ou uma disponibilidade interessante no destino.
Esse é um dos principais pontos que o agente precisa considerar.
Câmbio é apenas uma variável da viagem. Passagens possuem dinâmica própria de preço, hotéis podem ficar mais caros conforme a ocupação aumenta e determinados destinos têm períodos de alta demanda muito bem definidos.
Por isso, quando aparece uma combinação interessante entre tarifa aérea, disponibilidade de hospedagem e câmbio, pode fazer sentido apresentar a oportunidade ao cliente em vez de esperar que todos os indicadores melhorem simultaneamente.
O que as agências devem acompanhar nos próximos meses?
A cotação do dólar merece atenção, mas não deve ser analisada sozinha.
O comportamento das viagens internacionais também depende da oferta de voos e da demanda pelos destinos. E os dados de aviação mostram que o mercado internacional brasileiro segue crescendo.
Entre janeiro e julho de 2026, os voos internacionais movimentaram 17,79 milhões de passageiros no Brasil, alta de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Isso indica que existe um mercado relevante para explorar mesmo antes de considerar uma eventual melhora adicional do câmbio.
Para as agências, alguns indicadores merecem acompanhamento constante:
- cotação do dólar comercial e do dólar turismo;
- tarifas aéreas para os principais destinos internacionais;
- disponibilidade de assentos;
- frequência de voos diretos;
- campanhas de companhias aéreas;
- custo de hospedagem;
- comportamento da demanda;
- oportunidades de emissão com milhas;
- projeções atualizadas para o câmbio.
A combinação desses dados é muito mais útil do que acompanhar apenas a manchete de que o dólar caiu.
Dólar mais baixo pode aumentar a procura por viagens ao exterior?
Pode, mas não existe uma relação automática.
O câmbio melhora o poder de compra do brasileiro no exterior, principalmente em despesas que acompanham diretamente a moeda americana. Isso pode ajudar a destravar viagens que estavam fora do orçamento.
Os números de 2026 reforçam esse potencial. As despesas de brasileiros com viagens internacionais já atingiram um recorde no primeiro semestre, mesmo antes dessa nova passagem do dólar pela faixa de R$ 5.
Para o agente, isso significa que existe uma combinação interessante entre demanda e câmbio.
A oportunidade está em identificar quais clientes têm intenção de viajar e mostrar quando as condições realmente fazem sentido.
E se o dólar voltar para R$ 5,20?
Esse é um cenário que o mercado considerava possível no fim de 2026, segundo o Focus.
A diferença entre R$ 4,975 e R$ 5,20 parece pequena quando observada isoladamente, mas ganha peso em viagens de maior valor.
Uma despesa de US$ 2.000, por exemplo, custaria cerca de R$ 450 a mais no câmbio de R$ 5,20 do que na cotação de R$ 4,975, antes de considerar impostos, spreads e demais custos.
Isso ajuda a explicar por que o timing pode fazer diferença.
Não significa que toda agência deva estimular o cliente a comprar imediatamente. Significa que uma oportunidade de câmbio precisa ser analisada junto com a tarifa aérea, a hospedagem e o restante da viagem.
Como transformar a queda do dólar em oportunidade comercial?
O caminho mais interessante é trabalhar com cenários.
Uma agência pode, por exemplo, apresentar ao cliente duas simulações: uma viagem com compra imediata e outra considerando uma variação cambial. Assim, o consumidor entende quanto o câmbio representa no orçamento e consegue tomar uma decisão mais consciente.
Também vale revisar clientes que já demonstraram interesse em destinos internacionais.
Quem pesquisou Orlando, Nova York, Miami, Lisboa, Paris ou outros destinos e não avançou por causa do preço pode voltar a considerar a viagem quando percebe uma combinação melhor entre câmbio e tarifas.
Nesse processo, a agência deixa de atuar apenas como intermediária da passagem e passa a funcionar como consultora de viagem.
Para aumentar a margem, também faz sentido comparar as diferentes formas de emissão. O conteúdo da Speed Milhas sobre venda de passagens com segurança e lucro mostra como a estrutura de emissão e o uso estratégico de milhas podem fazer parte da operação comercial.
Outro ponto é a recorrência. Quando uma agência concentra suas emissões e utiliza programas voltados ao público B2B, benefícios como o cashback da Speed Milhas para agências podem entrar na equação de custo da operação, conforme as regras vigentes.
FAQ
O dólar está abaixo de R$ 5 hoje?
Não. O dólar fechou abaixo de R$ 5 em 6 de outubro, a R$ 4,975, mas voltou a superar esse nível. Na PTAX de 8 de outubro, a taxa de venda ficou em R$ 5,0119.
O dólar abaixo de R$ 5 deixa as viagens internacionais mais baratas?
Pode reduzir o custo de despesas cobradas em moeda estrangeira, mas não significa que toda a viagem ficará proporcionalmente mais barata. Passagens, hotéis e outros serviços possuem formação de preço própria.
Qual é a previsão do dólar para o fim de 2026?
O relatório Focus mais recente disponível até 8 de outubro aponta mediana de R$ 5,20 para o fim de 2026.
E qual é a previsão para o dólar em 2027?
O mesmo levantamento aponta R$ 5,28 para o fim de 2027.
Vale a pena comprar uma viagem internacional com o dólar próximo de R$ 5?
Pode valer, dependendo da tarifa aérea, da hospedagem, do destino e do restante dos custos. O ideal é analisar o preço total da viagem, e não apenas o câmbio.
A queda do dólar aumenta a procura por viagens internacionais?
Pode estimular a demanda porque melhora o poder de compra do brasileiro no exterior. Porém, fatores como renda, tarifas aéreas, hospedagem e disponibilidade também influenciam a decisão.
Como uma agência pode aproveitar um cenário de dólar mais baixo?
Uma estratégia é identificar clientes interessados em destinos internacionais, montar simulações de custo e comparar diferentes opções de emissão. A agência também pode acompanhar tarifas, disponibilidade, câmbio e oportunidades com milhas para encontrar combinações mais competitivas.
Conclusão
O dólar abaixo de R$ 5 em outubro de 2026 chamou atenção porque devolveu ao brasileiro uma condição de câmbio que não aparecia desde maio. Mas a rápida volta para a faixa de R$ 5 mostra que não é seguro tratar essa cotação como uma tendência consolidada.
Ao mesmo tempo, os dados de gastos dos brasileiros no exterior indicam que a procura por viagens internacionais está forte. Com o mercado projetando dólar a R$ 5,20 no fim do ano, existe uma janela em que câmbio, tarifas e disponibilidade podem criar oportunidades interessantes.
Para as agências, a melhor resposta não é simplesmente anunciar que “o dólar caiu”. É transformar a informação em estratégia: comparar emissões, acompanhar tarifas, identificar clientes interessados e montar propostas que mostrem o custo real da viagem.
Quando o cenário muda rapidamente, quem acompanha os indicadores e sabe transformar informação em uma boa cotação pode chegar antes à oportunidade.

