A LATAM começou a receber nesta quinta-feira (8) seu primeiro Embraer E195-E2, um movimento que vai muito além da renovação da frota. O novo avião chega justamente quando a companhia prepara uma expansão da malha doméstica brasileira e pretende ultrapassar a marca de 70 aeroportos atendidos no país em 2027.
Para quem trabalha com venda de passagens, o ponto mais importante não está apenas no avião. O E195-E2 dá à companhia mais flexibilidade para ajustar a capacidade dos voos à demanda de cada mercado, abrindo espaço para novas cidades, ligações diretas e aumento de frequências.
Por que o E195-E2 é importante para a LATAM?
A escolha da aeronave responde a uma questão bastante prática: nem toda rota comporta o mesmo volume de passageiros.
Hoje, a operação brasileira da LATAM utiliza principalmente aeronaves da família Airbus A320, com capacidade superior à do E195-E2. O novo jato terá cerca de 136 assentos, permitindo trabalhar mercados nos quais colocar um avião maior poderia dificultar a viabilidade econômica da operação.
Esse conceito de ajustar o tamanho da aeronave à demanda é conhecido no setor como right sizing. Na estratégia da LATAM, o E195-E2 não substitui os aviões maiores: ele complementa a frota.
Isso permite pensar em diferentes funções para cada equipamento. Um avião maior pode concentrar passageiros em uma rota de alta demanda, enquanto o E195-E2 pode atender uma cidade menor ou aumentar a frequência de uma ligação existente.
E essa diferença é importante para o mercado de turismo porque uma nova rota não significa apenas mais uma opção de voo. Ela pode mudar a forma como o agente monta um roteiro, oferece conexões e apresenta destinos ao cliente.

LATAM quer chegar a mais de 70 aeroportos
A chegada do E195-E2 faz parte de um plano que já estava em andamento.
Nos últimos anos, a LATAM ampliou sua presença doméstica de 44 aeroportos atendidos em 2019 para 63 atualmente. A companhia trabalha agora para chegar a 67 destinos domésticos na primeira fase da expansão e superar 70 aeroportos em 2027.
Entre novembro de 2026 e março de 2027, até 14 E195-E2 devem ser incorporados à operação brasileira. Esses aviões estarão relacionados a 42 mercados domésticos e quatro novas bases: Cabo Frio (RJ), Ji-Paraná (RO), Macaé (RJ) e Rondonópolis (MT).
A companhia já colocou as passagens dessas operações à venda e prevê crescimento gradual da malha conforme os novos aviões entrarem em serviço.
O que muda para quem vende passagens?
Aqui está um dos principais efeitos da expansão.
Quando uma companhia aérea chega a uma nova cidade, o mercado passa a ter mais possibilidades de deslocamento. Mas o impacto comercial não termina no trecho recém-criado.
Uma cidade regional conectada a Guarulhos ou Brasília, por exemplo, pode passar a oferecer ao passageiro novas possibilidades de conexão para outros destinos nacionais e internacionais.
A própria LATAM trabalha com essa lógica. Segundo a companhia, o E195-E2 poderá tanto abrir mercados quanto aumentar frequências em cidades onde já existe operação. Em determinados casos, um voo diário pode dar lugar a duas frequências em horários diferentes, melhorando a conectividade com os hubs.
Para a agência, isso significa mais combinações para pesquisar antes de simplesmente apresentar a primeira tarifa disponível.
Novas rotas podem criar oportunidades para as agências
A expansão regional também muda o perfil da pesquisa de passagens.
Um cliente que antes precisava fazer determinada viagem por estrada pode ganhar uma alternativa aérea. Outro passageiro pode encontrar uma conexão mais conveniente e reduzir o tempo total do deslocamento.
É justamente nesse ponto que o conhecimento da malha se transforma em ferramenta comercial.
O agente que acompanha a abertura de novas rotas consegue identificar mudanças de comportamento antes que elas se tornem óbvias para todo o mercado. Também pode comparar horários, conexões e tarifas com mais atenção antes de montar uma proposta.
A movimentação da LATAM merece acompanhamento especial porque a empresa já afirmou que os agentes de viagens fazem parte da estratégia de expansão regional. Em agosto, a companhia chegou a promover um treinamento específico para equipes comerciais e de suporte antes da entrada do E195-E2, abordando justamente a expansão da malha e o relacionamento com agências e parceiros.
O E195-E2 não significa apenas novos destinos
É fácil olhar para a chegada do avião e concluir que o principal efeito será o aumento do número de cidades atendidas.
Mas a estratégia da LATAM é mais ampla.
A companhia trabalha simultaneamente com três movimentos: novos mercados, novas ligações diretas e aumento de frequências. A aeronave permite testar diferentes combinações sem depender exclusivamente de aviões maiores.
Esse desenho pode ser especialmente relevante para mercados regionais.
Em vez de pensar somente em “qual cidade ganhou voo?”, vale observar quais conexões passam a ficar mais interessantes, quais horários foram adicionados e como a nova frequência interfere nas opções de ida e volta.
Para o agente, essas informações podem fazer diferença na hora de encontrar uma solução mais adequada para o passageiro.
LATAM terá até 74 E195-E2 no projeto
A expansão brasileira faz parte de um acordo maior entre a LATAM e a Embraer.
Em setembro de 2025, o grupo anunciou um pedido de até 74 E195-E2, formado por 24 aeronaves firmes e 50 opções de compra. O pedido firme foi avaliado em aproximadamente US$ 2,1 bilhões a preços de tabela.
As primeiras entregas foram destinadas à operação da LATAM Airlines Brasil, mas o acordo também prevê potencial utilização dos aviões por outras empresas do grupo.
A Embraer estima que o projeto poderá contribuir para a abertura de até 35 novos destinos na rede sul-americana da LATAM, que já contava com 160 destinos quando o acordo foi anunciado.
Isso mostra por que a chegada do primeiro avião merece atenção: ela representa o começo de um programa de frota que pode produzir efeitos na malha durante os próximos anos.
O que as agências devem acompanhar daqui para frente?
A primeira fase já tem destinos e operações definidos, mas a expansão não termina em março de 2027.
A própria LATAM informou que outras aeronaves estão previstas para a sequência do projeto e que uma segunda etapa deverá ampliar a operação. A companhia também já avaliou dezenas de possíveis destinos para o E195-E2.
Por isso, acompanhar a movimentação da empresa pode ser mais útil do que simplesmente esperar a abertura de cada nova rota.
Vale observar:
- novas bases anunciadas pela companhia;
- alterações de frequência;
- novas ligações diretas;
- horários de partida e chegada;
- disponibilidade de conexões pelos hubs;
- comportamento das tarifas;
- demanda em cidades recém-atendidas.
Esse acompanhamento ajuda a transformar uma mudança operacional da companhia aérea em informação útil para a venda.
O que isso representa para o mercado de passagens?
A chegada do E195-E2 reforça uma tendência importante na aviação brasileira: crescer não significa necessariamente colocar aviões cada vez maiores nas mesmas rotas.
Em determinados mercados, a expansão pode acontecer com aeronaves menores, mais frequências e uma malha construída de forma mais flexível.

Para as agências, isso aumenta a importância de comparar opções antes de emitir. Uma nova rota ou frequência pode alterar a melhor combinação de horários, conexões e tarifas para determinado passageiro.
Nesse processo, ferramentas de cotação e fornecedores que permitam comparar diferentes alternativas podem ajudar a tornar a operação mais eficiente. A Speed Milhas trabalha justamente com uma plataforma voltada ao mercado B2B, permitindo consultar opções de emissão para clientes de agências.
Também vale entender como uma estrutura de emissão pode contribuir para a operação comercial da agência. O conteúdo da Speed Milhas sobre como vender passagens com segurança e lucro aborda justamente essa relação entre emissão, margem, segurança e processo comercial.
FAQ
Quando o E195-E2 da LATAM começa a operar?
A primeira fase da operação está prevista para começar em novembro de 2026 e avançar gradualmente até março de 2027. A companhia prevê incorporar até 14 aeronaves nesse período.
Quantos passageiros cabem no E195-E2 da LATAM?
A aeronave terá 136 assentos, distribuídos em configuração 2-2, com cabines Economy e Premium Economy. A quantidade de assentos Premium Economy pode variar conforme a configuração.
Quais são os novos destinos da LATAM com o E195-E2?
Na primeira fase, a companhia anunciou quatro destinos inéditos: Cabo Frio, Ji-Paraná, Macaé e Rondonópolis.
A LATAM vai substituir os Airbus pelo E195-E2?
Não. O objetivo é complementar a frota. O E195-E2 terá papel diferente dos aviões maiores, permitindo ajustar a capacidade à demanda de cada mercado.
Quantos E195-E2 a LATAM pretende receber?
O acordo anunciado em 2025 prevê até 74 aeronaves: 24 pedidos firmes e 50 opções de compra.
O que a expansão da LATAM muda para as agências?
A ampliação pode criar novas combinações de rotas, conexões e frequências. Para o agente, acompanhar essas mudanças ajuda a encontrar alternativas mais adequadas de viagem e identificar oportunidades comerciais em mercados que passam a ter maior conectividade.
Conclusão
A chegada do primeiro E195-E2 marca uma mudança importante na estratégia doméstica da LATAM. O avião não chega apenas para ampliar a frota: ele funciona como uma ferramenta para ajustar capacidade, criar novas conexões e levar a companhia a mercados que antes poderiam não comportar aeronaves maiores.
Para quem trabalha com venda de passagens, o movimento merece acompanhamento próximo. À medida que novas rotas e frequências forem anunciadas, surgirão mais combinações para cotar e diferentes oportunidades para montar viagens.
Em um mercado no qual tarifa, horário, conexão e disponibilidade podem mudar rapidamente, informação continua sendo uma vantagem comercial. A agência que acompanha a evolução da malha consegue tomar decisões melhores antes de apresentar uma opção ao cliente.

